Por Carmen Elena Villa
A Missa solene de Pentecostes, celebrada neste domingo pela manhã na Basílica de São Pedro, foi um reflexo das palavras de Bento XVI durante sua homilia.
"O caminho dos cristãos e das Igrejas particulares deve sempre se confrontar com aquele de uma Igreja una e católica, e harmonizar-se com ele", disse o Pontífice.
"Isto não significa que a unidade criada pelo Espírito Santo constitua uma espécie de igualitarismo. Ao contrário, isto estaria muito próximo do modelo de Babel, isto é, a imposição de uma cultura da unidade que poderíamos definir como ‘técnica'."
Milhares de fiéis de todo o mundo reuniram-se em São Pedro em uma só fé, para celebrar Pentecostes.
Doris Meier, estudante de filosofia na universidade Angelicum de Roma e proveniente da Suíça, partilhou com ZENIT suas impressões ao final da Missa sobre as palavras proferidas pelo Papa - que, segundo ela, não falou em nome de si mesmo nem, em nenhum momento, em tom autoritário, mas apenas "com a verdade, sobre os católicos como uma só Igreja".
Desde que passou a morar em Roma, em outubro do ano passado, Doris faz questão de estar presente em todas as cerimônias públicas presididas por Bento XVI: "Precisamos apoiar o Papa, dizer que é belo o que ele faz".
O Pontífice conduziu a procissão de entrada na Basílica de São Pedro, enquanto o coral da Capela Sistina entoava a canção "Tu es Petrus". O Papa se deteve para cumprimentar a alguns fiéis, que rapidamente se reuniram em São Pedro em busca de bons lugares para acompanhar a celebração. Muitos se mostraram surpresos e comovidos ao poder ver e cumprimentar o Santo Padre tão de perto.
Conforme a tradição, tanto as leituras quanto as orações dos fiéis foram proferidas em diversos idiomas, a fim de mostrar a universalidade da fé católica. Desse modo, os fiéis leram em inglês, espanhol, italiano, português, alemão, russo e chinês.
A liturgia eucarística foi aberta com as oferendas, enquanto o coral cantava uma canção inspirada no Salmo 67. Onze pessoas, entre religiosos e leigos, trouxeram as oferendas ao altar, entregando-as diretamente a Bento XVI, momento em que puderam trocar algumas palavras com ele.
A poucos minutos do final da Missa, o Papa retornou a seus aposentos para da janela recitar, pela última vez neste ano, o Regina Caeli.
Eva Rodrigo, proveniente da Espanha, pôde vivenciar pessoalmente e experiência da diversidade dos carismas: "Vim com uma amiga portuguesa e outra suíça, e estávamos rodeadas por franceses, ingleses e brasileiros, de modo que, quando trocamos a saudação de paz, foi um momento muito bonito, pois cada um os dava em sua própria língua, mas era sempre a paz de Cristo", comentou.
Recém-chegada a Roma para um intercâmbio de seis meses junto à Universidade La Sapienza, Eva destacou como "o cristianismo não está circunscrito a uma cultura em particular. Não é exclusividade do Ocidente".
"Gostei muito de ouvir o Papa dizer em sua homilia que a fé católica não pode ser identificada com Estados ou culturas, pois o cristianismo transcende qualquer estrutura social". Uma fé que, conforme se pôde verificar neste domingo, "reconcilia e reúne a família humana".
Fonte: zenit.org